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Acre enfrenta segunda maior estiagem desde 1971, diz diretor do Depasa

Acre enfrenta segunda maior estiagem desde 1971, diz diretor do Depasa

G1 - Acre
10/08/2017
 

Defesa Civil diz que nível do Rio Acre está baixando 1 cm por dia. Depasa anunciou Plano de Contingência nesta quinta (10) para evitar desabastecimento de água.

O Rio Acre, em Rio Branco, chegou a 1,63 metro e baixou três centímetros de quarta-feira (9) até esta quinta (10), segundo o Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa). O diretor-presidente do órgão, Edvaldo Magalhães, falou que a situação é preocupante e que esta já é a segunda maior estiagem desde que iniciaram as medições no Rio Acre em 1971.

Por isso, durante uma coletiva de imprensa nesta quinta (10), o Depasa anunciou o Planto de Contingência para evitar o desabastecimento de água. Entre as medidas está a atuação de equipes para combater vazamentos e desperdício de água para evitar o racionamento na capital e interior do estado. O plano já foi iniciado e deve ser intensificado a partir da próxima semana conforme o acompanhando do nível do rio.

“A gente consegue captar em águas bastante rasas, mas na medida que o rio vai baixando nós vamos captando em um nível menor. O desperdício e a inadimplência são gargalos para manter o abastecimento, pois o custo de produção da água e manutenção do sistema é alto. Temos uma água que é cara de produzir e que é barata para o consumidor”, diz.

Magalhães destacou que o Depasa já está com dificuldades de captação de água e que a cada baixa no volume do rio é necessário adaptar os equipamentos. Segundo a Defesa Civil do Acre o nível do manancial está baixando 1 centímetro por dia. Em Rio Branco, na Estação de Tratamento de Água II (ETA I) a captação está ocorrendo com quatro bombas sobre flutuantes, já na ETA I há duas bombas em uma torre de captação e um flutuante.

“Tudo indica, esse é o nosso prognóstico, que nos próximos dias quando o rio chegar a 1,40 metro nós vamos ter que fazer aquela contenção no entorno da ETA I. Isso vai ser necessário para que a gente possa jogar a água dentro da torre com maior volume e manter funcionando pelo menos a captação em uma das bombas dessa torre”, destaca.

O diretor explica ainda que a captação na ETA I chega a 600 litros por segundo e mesmo que o rio fique abaixo de 1,5 metro é preciso manter a captação de ao menos 550 litros por segundo. Já na ETA II a captação é maior e chega a 960 litros por segundo.

No entanto, o Depasa enfrenta mais um problema este ano, o alto volume de algas devido ao baixo nível dorio. Assim, mesmo com a captação dentro da média, a produção de água chega apenas a 860 litros por segundo, pois o processo de floculação, separação de detritos da água, exige um tempo maior para detratamento.

“Estamos tendo que dar uma segurada na produção para fazer o tratamento adequado. Estamos fazendo vários testes, mas o fato é que hoje a nossa produção na ETA II é de 100 litros por segundo a menos e isso significa muito na hora de fazer o abastecimento na comunidade. Estamos com o abastecimento no limite, qualquer problema que acontecer em uma bomba ou outro equipamento pode causar uma baixa na produção. Se a gente chegar 1300 litros por segundo vamos precisar entrar em racionamento”, alerta.

Magalhães destaca que a crise hídrica este ano pode ser ainda pior do que a registrada em 2016. O motivo, segundo ele, é que após a estiagem as chuvas do inverno não foram suficientes para repor a água no lençol freático. Assim, a baixa no rio deve ocorrer ainda mais rápido que no ano anterior não apenas na capital, mas também em municípios no interior do estado.

O diretor falou ainda, que no dia 10 de agosto de 2016 a medição do Rio Acre, em Rio Branco, era de 1,36 metro, por isso o nível desta quinta, que é de 1,63 metro, pode parecer bom, mas a verdade é que a situação é bem pior devido ao aumento diário na demanda de consumo. Outro problema, segundo Magalhães, é que não há previsão de grandes volumes de chuvas para o restante de agosto nem para o mês de setembro.

“Você tem um número enorme de consumidores que dependem de poços artesianos, cacimbas e cacimbão que já não estão tendo acesso a agua e voltam para o abastecimento do Depasa. A pressão sobre o nosso sistema está maior do que no ano passado, esse é um dado que nos preocupa”, lamenta.

Em 2016, o menor nível do Rio Acre registrado foi no dia 17 de setembro, quando o manancial atingiu a marca de 1,30 metro. Se continuar baixando um 1 centímetro por dia, a marca do ano passado deve ser atingida antes do previsto, de acordo com a Defesa Civil.

Ainda em julho do mesmo ano, no dia 29, o rio chegou a 1,49 metros sendo um dos níveis mais baixos da história já registrados em Rio Branco.

Em 7 de julho de 2016, o governador Tião Viana (PT-AC) assinou um decreto de situação de emergência por causa da seca do rio. Na época, o relatório divulgado pela Defesa Civil do Acre apontou que manancial chegou a 1,88 em 7 de julho e estava 1,63 m abaixo da média histórica para o mês que era de 3,51 metros.

 

 

 

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