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Ganhos do saneamento

Ganhos do saneamento

Dirio do Nordeste
20/04/2017
 

É de conhecimento geral que a universalização do saneamento básico desencadearia benefícios explícitos à população, do ponto de vista da qualidade de vida. Mas um estudo do Instituto Trata Brasil, organização especializada no tema, aponta que as vantagens vão muito além do bem-estar. Levar esgotamento sanitário e água tratada a todos, de acordo com o levantamento divulgado, traria ganhos econômicos e sociais significativos, pela redução das doenças e pelo incremento de setores como turismo, educação e mercado imobiliário.

Ao longo de 20 anos, os efeitos da universalização proporcionariam ganhos de R$ 537 bilhões ao País, levando em conta todos os custos e a contrapartida pela renda que seria produzida. Somente a região Nordeste obteria R$ 117 bilhões caso a universalização fosse atingida. Já Sudeste (R$ 145 bilhões) e Norte (R$ 134 bilhões) receberiam os maiores retornos.

Apenas considerando a valorização imobiliária, acrescentar-se-iam R$ 273 bilhões a mais de riquezas até 2035, conforme as projeções realizadas. De fato, as falhas de saneamento básico causam impacto profundo no ramo habitacional. As áreas mais pobres se tornam ainda menos valorizadas pela ausência de água encanada e da rede de esgoto. Até dentro de um mesmo bairro pode haver disparidades, com alguns trechos saneados e outros com esgoto a céu aberto. O simples fato de estar próximo de áreas que não são aquinhoadas por esses serviços tende a depreciar a cotação dos imóveis.

Ademais, existem repercussões relevantes para a atividade turística. A pesquisa ressalta que a poluição, principalmente nas praias, vem afastando gradualmente o público. Como o turismo forma uma cadeia econômica, o afastamento dos visitantes de um lugar insalubre se reflete em perdas em vários negócios inter-relacionados.

A universalização do saneamento básico redunda em maior preservação ambiental, qualidade de que o turismo pode se aproveitar. Com os benefícios advindos desse investimento, ocorreria crescimento no lucro das empresas, aumento de oportunidades de emprego e recolhimento de impostos.

Apesar da óbvia necessidade de implementar um projeto mais efetivo no saneamento básico para auferir os seus proveitos imediatos e de longo prazo, acumulam-se no País obras paralisadas. Recente levantamento da imprensa descortinou o cenário de abandono nas obras de saneamento básico no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Segundo o relato, a partir de 2015, entre os projetos pertencentes ao PAC 2, somente 27% ficaram prontos; e 14% nem começaram. Por essas mazelas, o Brasil figura em 112º lugar num ranking do setor formado por 200 países, apesar de exibir a condição de ser a nona economia.

Os aportes financeiros não sustentam a meta prevista no Plano Nacional de Saneamento Básico de universalizar até 2033 os sistemas de esgotamento e de acesso à água tratada. Nos últimos três anos, destinou-se o montante de 9 bilhões para intervenções e melhorias na área. Contudo, de acordo com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, seria necessária a injeção anual de R$ 15 bilhões.

Serviço essencial, que deveria estar presente em todos os lares, o saneamento básico não é tratado como prioridade pelos governos. Como direito fundamental, a sociedade deve cobrar com vigor do poder público a sua execução.

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