Jundiaí

Figurando entre as 20 melhores do Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, o município de Jundiaí, interior de São Paulo, mostra ano a ano a evolução nos indicadores de coleta e tratamento dos esgotos.

A DAE Jundiaí é responsável pelo saneamento básico da cidade. O último dado de investimento do município para serviços de água e esgoto foi de R$ 72,25 milhões nos últimos 5 anos (2013-2017).

Atualmente, o município paulista já figura como uma referência no tratamento dos esgotos, tratando 100% do que é coletado e abastecendo 99,10% da população total com água tratada.

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), plataforma de indicadores do Ministério das Cidades, apontam a seguinte evolução por parte de Jundiaí:

  Indicador de atendimento total de água (%) Indicador de atendimento total de esgoto (%) Indicador de Esgoto Tratado por água consumida (%)
2013 98,28 98,30 98,28
2014 97,80 97,80 91,94
2015 97,80 97,80 100
2016 98,23 98,23 100

O INSTITUTO TRATA BRASIL ENTREVISTOU O DAE JUNDIAÍ, RESPONSÁVEL PELOS SERVIÇOS NO MUNICÍPIO. LEIA NA ÍNTEGRA:

Que esforços foram feitos na gestão do saneamento local que fez com que se chegasse a esta posição tão boa?

 

A boa classificação de Jundiaí é resultado de planejamento e investimentos realizados ao longo dos anos e que foram mantidos administração após administração. Registros históricos comprovam que na metade do século 19 a cidade já ocupava posição de destaque entre os primeiros municípios brasileiros a se preocupar com saneamento básico.

O sistema de saneamento de Jundiaí é reconhecido como um dos melhores do país, pelo Instituto Trata Brasil, uma vez que 99,6% dos domicílios da zona urbana são atendidos por rede de água tratada e coleta de esgoto. Este reconhecimento é resultado de investimentos iniciados com o CERJU (Comitê de Estudos e Recuperação do Rio Jundiaí), uma parceria do Governo do Estado, Prefeitura Municipal, DAE, Cetesb e indústrias (Ciesp e Fiesp), iniciada em 1984.

O objetivo era a despoluição do rio Jundiaí e, consequentemente, o afastamento de esgoto a céu aberto da malha urbana, por meio de implantação de sistema que impedisse o despejo de esgoto in natura no curso d’água.

Na época, além de Jundiaí, as cidades de Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Salto e Indaiatuba manifestaram interesse em integrar o projeto que, a princípio, instalaria interceptores e emissários. Nesse período, das quase 50 toneladas de poluição lançadas no Rio Jundiaí, Jundiaí era responsável por 84,8% dessa carga.

Em Jundiaí, as obras tiveram início em 1985 e o sistema foi constituído basicamente por coletores tronco, interceptores e emissários ao longo do rio Jundiaí, em suas margens, e de seus principais afluentes, como Córrego do Tanque Velho, Guapeva, Colônia, Vila Joana, Guanabara, Primavera e Walquírias, interligados à rede pública coletora do município, somando uma extensão aproximada de 52 Km.

Por volta de 1992, a disponibilidade financeira para o projeto não permitia sua conclusão com a instalação da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). Por outro lado, havia sido contratado o seu projeto executivo referenciado ao processo tecnológico validado pela Cetesb.

Em Jundiaí, a Prefeitura optou pela concessão dos serviços de tratamento de esgoto, em troca da construção e operação da Estação de Tratamento. Em 1996, a CSJ – Companhia Saneamento de Jundiaí venceu a concorrência pública para realizar a construção da Estação de Tratamento de Esgoto de Jundiaí, inaugurada em setembro de 1998.

Depois da construção da Estação de Tratamento, a água resultante do tratamento do esgoto passou a ser devolvida ao rio Jundiaí sem prejuízo ao meio ambiente.

Em 2012, entrou em operação a Estação de Tratamento de Esgoto do bairro São José e, em 2013, a Estação de Tratamento de Esgoto dos Fernandes, construídas para atender a zona rural.

Com o funcionamento destas duas estações, a DAE ampliou o atendimento levando o benefício também à população da zona rural, onde ainda predominam fossas sépticas, antecipando as futuras expansões da região. Atualmente 98,23% do município é atendido com coleta, afastamento e tratamento de esgoto, sendo que 100% do esgoto coletado recebe o tratamento adequado antes de ser devolvido para os rios.

Ao longo dos anos a empresa também desenvolveu importantes projetos relativos ao abastecimento de água. Uma relevante obra foi a inauguração da Estação de Tratamento de Água no Anhangabaú, em 1969, onde havia o primeiro reservatório da cidade.

Depois vieram investimentos em adutoras, redes de esgoto para a preservação de nosso principal manancial, o rio Jundiaí Mirim, e, no final dos anos 1970 e 1980, foram construídas a represa de Captação e a Casa de Bombas.

Na década de 1970, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) autorizou a reversão de 700 litros por segundo do rio Atibaia, por meio de uma linha de adução com diâmetro de 700 mm.

Na década de 1980, com o aumento da outorga de captação de água do rio Atibaia, para 1.200 litros por segundo, foi necessária a construção de uma nova adutora.

Na década de 1990, a empresa inaugurou uma nova represa, a represa de Acumulação. Outra importante obra foi a duplicação da capacidade da Estação de Tratamento, que passou de 900 litros por segundo para 1.800 litros por segundo.

Além disso, em 2004, a DAE construiu o Parque da Cidade, com o objetivo de evitar a ocupação irregular e proteger o principal manancial de abastecimento do município e a represa de Acumulação. O espaço é um dos cartões postais da cidade e uma das atrações preferidas da população da região. Com 500 mil metros quadrados, tem atrações para toda a família como pistas de caminhada e corridas, pistas de aeromodelismo e automodelismo, e quadras para a prática esportiva.

Atualmente, as ações realizadas pela administração da DAE representam esforços no sentido de ampliar a segurança hídrica na cidade e o acesso à água e esgoto. Somente entre janeiro de 2017 e agosto de 2018, foram 41,2 quilômetros de novas redes de água e 31,4 quilômetros de novas redes de esgoto.

Entre as principais obras, estão a construção de um muro de gabiões na margem esquerda do rio Atibaia, importante manancial utilizado pela DAE em épocas de estiagem, o remanejamento de 250 metros de rede de esgoto no Complexo Viário de Jundiaí, além da limpeza e desassoreamento da represa de Captação e a retirada de plantas macrófitas da represa de Acumulação, visando garantir a qualidade da água de abastecimento.

Além disso, em novembro de 2018, a DAE conclui as obras de ampliação do vertedouro da represa de Acumulação, que vão aumentar em 12% a capacidade de armazenamento, garantindo 1 bilhão de litros de água a mais. A estrutura atual tem 16 metros de comprimento e é do tipo retilíneo; após as obras, terá 32 metros de lâmina vertente e será do tipo labirinto, dobrando a vazão e gerando mais velocidade de escoamento. Com isso, a represa passará de 8,3 bilhões de litros para 9,3 bilhões de litros de água armazenados.

Entre outras iniciativas, em março de 2017, a equipe da DAE conquistou a renovação da outorga de captação do rio Atibaia, que autoriza Jundiaí a captar água dos rios Atibaia e Jundiaí Mirim, do Ribeirão da Ermida e do Córrego da Estiva. A licença foi publicada na Imprensa Oficial do Estado em março de 2017 e tem validade por mais dez anos.

A cidade também implantou, em dezembro de 2017, o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que está em consonância com as orientações da Lei Federal nº 11.445/2007 e foi realizado em parceria com a Prefeitura de Jundiaí. O PMSB foi instituído pela Lei nº 8.881, de 13 de dezembro de 2017.

Quanto em investimentos foram feitos nos últimos 5 anos?

 Os investimentos dos últimos anos foram:

2013 – R$ 13,1 milhões

2014 – R$ 28,4 milhões

2015 - R$ 19,5 milhões

2016 - R$ 13,7 milhões

2017 - R$ 4,6 milhões

 

- O que você destacaria como os fatores mais importantes para esse avanço?

 

Em Jundiaí, os administradores sempre tiveram visão de futuro e os investimentos em saneamento foram prioridade. Ao longo dos anos, o planejamento e os recursos para o setor foram mantidos e renovados.

Neste sentido, a atual administração da DAE conquistou verbas para importantes obras e ações, com foco na segurança hídrica, na universalização do saneamento, na reservação de água e no combate a perdas. Entre elas, destacamos:

- Implantação do esgotamento sanitário no Champirra e Mato Dentro, ampliação da capacidade de tratamento da Estação de Tratamento de Água do Anhangabaú, ações de combate a perdas (com a instalação de mais macromedidores e substituição de hidrômetros) e a elaboração do projeto executivo e licenciamento ambiental do novo sistema de abastecimento de água do Vetor Oeste. As ações poderão ser realizadas graças ao financiamento de R$ 59 milhões viabilizados por meio de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), geridos pelo Ministério das Cidades;

- Construção de quatro novos reservatórios, ampliando em mais 21 mil m³ o volume de água tratada armazenada. As unidades serão implantadas no Jardim Carlos Gomes, Cecap, FazGran Industrial e ETA Anhangabaú, além da reforma do R-13, no Distrito Industrial. O investimento é de R$ 17,7 milhões, provenientes de financiamento do governo federal;

- Troca de 15 mil hidrômetros, nas regiões do R10 (Vila Rio Branco e Jardim da Fonte), CB11 (São Camilo e Colônia) e CB12 (Ivoturucaia). A ação tem como foco a redução dos índices de perda da empresa e utilizará recursos do FEHIDRO;

- Reforço em adutoras, que vão beneficiar as regiões do Centro, Mato Dentro, Vila Hortolândia/Torres de São José e Vale Verde, com o objetivo de ampliar ainda mais a eficiência do abastecimento em Jundiaí. A obra será realizada com recursos próprios;

- Ampliação do sistema de esgotamento sanitário nos bairros Jardim Novo Horizonte, Poste, Traviú, São José e Castanho, com investimento de R$ 24 milhões, provenientes de financiamento do governo federal.

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