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Saneamento básico precário faz Nordeste deixar de arrecadar 1,3 bilhão com turismo

Estudo ainda mostra que a região deixou de gerar 140 mil novos postos de trabalho por falta de universalização do saneamento

Por Trata Brasil/CEBDS

Estudo lançado pelo Instituto Trata Brasil e o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), ‘Benefícios da Expansão do Saneamento Brasileiro’, divulgado esse mês, apontou que os nove estados do Nordeste somariam mais 139.836 postos de trabalho com uma geração adicional de renda de R$ 1,3 bilhão vinda desses novos empregos e trabalhadores, se o saneamento básico fosse universalizado para toda a população. O estudo ainda identificou que o lançamento de esgotos sem tratamento ainda é o principal causador da poluição direta nos rios e praias nordestinas.

O Brasil sempre foi destino de milhares de turistas europeus, norte- americanos e latinos, tendo o Nordeste como a região do país mais procurada pelas belas praias, clima estável e ambiente natural exuberante, o que movimenta a economia local. A Bahia, por exemplo, é um dos destinos mais procurados pelos estrangeiros e, caso chegasse à universalização do acesso à água tratada, coleta e tratamento dos esgotos, poderia ter um salto na geração de renda em turismo equivalente a R$ 357,64 milhões. O estudo mostrou que 38 mil novos empregos poderiam ser criados.

Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, afirma: “O Brasil num todo é atingido prejudicialmente pela falta de saneamento; e isso afeta principalmente o turismo, pois em casos de cidades litorâneas, o cidadão não vai levar a sua família para uma praia contaminada com esgoto”.

O Ceará, outro estado nordestino com grande vocação turística, poderia ter criado mais 36.613 novos postos de trabalho no turismo. Outros estados também se beneficiariam muito, principalmente a Paraíba e o Rio Grande do Norte, já que grande parcela da renda desses estados vem dos empregos diretos gerados pela atividade turística, nas redes hotelarias, pequenas pousadas e até quiosques nas praias.

Para Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), turismo e saneamento estão diretamente relacionados. “As áreas degradadas não apenas afastam os turistas, deixando de captar recursos, mas também deixam de fornecer empregos para a população local. Só em 2013 quase 140 mil empregos diretos deixaram de ser criados no Nordeste por falta de saneamento básico. Essa situação não pode continuar assim”.

Se considerarmos todo o Brasil, o estudo prevê a criação de quase 500 mil novos empregos e mais de R$ 7 bilhões de renda adicional somente em turismo o país, mas para isso o país precisará universalizar os serviços de saneamento básico.

Em resumo, apesar de dar o foco no Nordeste, o estudo aponta que a falta de atendimento de todos os cidadãos brasileiros em água tratada, coleta e tratamento dos esgotos não causa grandes perdas apenas no turismo, mas também em várias outras áreas (saúde, educação, valorização dos imóveis, meio ambiente). O país perde assim uma grande chance de crescer com sustentabilidade, ficando distante dos países mais desenvolvidos social e ambientalmente no mundo.

Unidades da Federação Postos de trabalho em 2013 Empregos que
poderiam ser criados
Geração de renda com
a universalização
R$ bilhões
       
Norte 64.959 15.987 204,91
Rondônia 8.171 1.790 24
Acre 2.860 767 12,35
Amazonas 17.955 1.299 16,27
Roraima 2.290 300 3,45
Pará 24.796 3.749 39,36
Amapá 3.056 2.247 38,4
Tocantins 5.831 5.835 71,08
Nordeste 277.859 139.836 1.332,48
Maranhão 15.552 2.936 20,76
Piauí 9.689 5.511 41,29
Ceará 43.274 36.613 334,4
Rio Grande do Norte 23.422 18.352 199,35
Paraíba 13.970 17.300 145,79
Pernambuco 57.012 13.508 157,05
Alagoas 16.595 3.896 45,69
Sergipe 12.074 3.459 30,5
Bahia 86.271 38.261 357,64
Sudeste 968.645 168.787 2.635,12
Minas Gerais 165.625 80.600 1.075,47
Espírito Santo 32.284 12.030 158,77
Rio de Janeiro 234.095 12.448 185,39
São Paulo 536.641 63.709 1.215,45
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