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Saneamento básico trouxe R$ 146 bilhões de benefício econômico em dez anos

Saneamento básico trouxe R$ 146 bilhões de benefício econômico em dez anos

Praitec
17/05/2017

O recente estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a Sabesp avaliou a evolução dos serviços de água e esgoto em um período de dez anos, de 2005 à 2015. O estudo mostra que a expansão do saneamento básico no país, embora ainda muito pequena, teve impacto direto nos setores da saúde, trabalho, imóveis e turismo, o que movimentou R$146 bilhões em benefícios sociais e econômicos nesse período.

Esgoto despejado na natureza na favela São Nicolau, em São Paulo, em foto de 2011 (Foto: Instituto Trata Brasil)

Segundo dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento), em 2015, 50.26% da população possuía atendimento total de esgoto e 83.3% recebia água em suas casas. Os números, embora ainda baixos, mostram uma melhora, visto que em 2005 apenas 81.7% da população era atendida com abastecimento de água. Ou seja, em um período de 10 anos, 26.4 milhões de pessoas foram beneficiadas pela melhora do saneamento básico no país. Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, diz que o investimento em saneamento beneficia a economia local. “O funcionário, quando recebe o salário, compra no supermercado, a mulher vai no cabelereiro, compra roupa. Então você já tem um aumento da renda natural por conta do sistema que já está implantado”, afirma.

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Quando uma pessoa falta ao trabalho por doenças ocasionadas pela falta de saneamento, como a febre tifoide, a cólera e o agravamento de epidemias de zika e a dengue, isso tem um custo para a empresa e para o país. Além disso, há também os custos nos hospitais. O estudo mostra que a redução das despesas com internações no SUS decorrentes de infecções gastrointestinais resultou em uma economia de R$103.3 milhões por ano.

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Outro ponto importante é o turismo. Para receber pessoas de diferentes localidades, o país necessita estar minimamente preparado para isso. Quando há um caos na saúde pública, recorrentes epidemias de zika e dengue, por exemplo, e deterioração ambiental, isso afasta os turistas. Quando não há um movimento significativo de pessoas visitando as cidades, consequentemente a economia é prejudicada. A expansão do saneamento permite a revalorização das áreas, a melhora da saúde pública, e assim, impulsiona as atividades de turismo. O mesmo acontece com os imóveis. Há um ganho patrimonial para as famílias que recebem o tratamento de água e esgoto adequado.

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Mesmo com tantos ganhos sociais e econômicos, a questão do saneamento básico no Brasil ainda é muito precária. Édison Carlos conta que os investimentos da área estão localizados basicamente em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. “A gente tem 50% do investimento do país em praticamente três estados. Só o Estado de São Paulo, por exemplo, representa um terço do investimento de saneamento no país”, afirma.

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Para o presidente do Instituto Trata Brasil, a questão do saneamento é ainda muito recente no país visto que a lei de saneamento básico está em vigor há apenas 10 anos (desde 2007). Édison Carlos explica que o motivo desse atraso é que “a percepção de que o saneamento é obra enterrada prevaleceu durante muitos anos”. Segundo o estudo, para que todos os brasileiros tenham acesso aos serviços de água e esgoto, seria necessário o investimento de R$ 317 bilhões durante um período de 20 anos. Ou seja, o país precisaria investir no mínimo R$ 16 bilhões anualmente.

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