São José Do Rio Preto

São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, apresenta bons indicadores em saneamento básico. Atualmente a cidade atende 95,81% da população com acesso à água tratada e 93,46% da população com acesso à coleta de esgoto. Além disso, trata 89,03% dos esgotos.

Além disso, o município ocupa a 4ª posição do Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil de 2020.

  Indicador de atendimento total de água (%) Indicador de atendimento total de esgoto (%) Indicador de Esgoto Tratado por água consumida (%)
2014 92,99 92,99 100
2015 89,74 92,91 100
2016 93,93 93,93 87,57
2017 97 93,46 85,16
2018 95,81 93,46 89,03

O INSTITUTO TRATA BRASIL ENTREVISTOU O SEMAE (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto) DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, RESPONSÁVEL PELOS SERVIÇOS NO MUNICÍPIO. LEIA NA ÍNTEGRA:

Que esforços foram feitos na gestão do saneamento local que fez com que se chegasse a esta posição tão boa? 

São José do Rio Preto é um município privilegiado, que teve bons prefeitos e homens de visão desde o início de sua história. Redes de distribuição de água e coleta de esgotos existiam em toda a cidade legal. Após a criação do SeMAE, esta gestão foi aprimorada, construída a Estação de Tratamento de Esgotos, que atende todo o município.

Outro fator importante é a gestão tarifária que trata novos empreendimentos com responsabilidade e eficiência.

Com isso é possível com os recursos da tarifa, que é bastante módica, fazer todos os investimentos necessários para garantir a boa qualidade e distribuição da água potável e coleta, afastamento e tratamento de esgotos. Neste último ano o SeMAE realizou a construção, ampliação e substituição de mais de 40 km de interceptores, para acompanhar a expansão da área urbana e fez mais um módulo em sua Estação de Tratamento de Esgoto, elevando sua capacidade de atendimento para 600 mil habitantes.

O que você destacaria como os fatores mais importantes para esse avanço (vontade política, manutenção do foco em saneamento mesmo com mudanças políticas, manutenção dos investimentos, envolvimento da população, outros)

Vontade política é muito importante para que a autarquia seja priorizada e o saneamento possa ser efetivado com eficiência e melhorias à população. A gestão presente, Edinho Araújo, é bastante atenta ao que acontece no saneamento e não só permite, mas motiva e exige que o SeMAE cumpra com sua função no saneamento. Isso inclui a preocupação com a questão social do saneamento. Ao mesmo tempo que é muito responsável quanto à tarifa e entende que é necessário a cobrança justa para os serviços prestados.

Já em gestões não tão próximas à autarquia, é primordial o comprometimento de toda a equipe de trabalho, dos servidores, que conseguem mesmo em situações adversas, manter o serviço adequado.

Como outras cidades podem melhorar os indicadores de saneamento?

O órgão responsável pelo saneamento tem que ser muito comprometido com o resultado efetivo do saneamento. Não importa o arranjo institucional que seja, público ou privado, mas é necessário ter um bom planejamento estratégico como a grande figura de norteamento de ações, com as estratégias ou diretrizes que refletem a missão dos bons serviços prestados customizado para o município em questão. Com os objetivos e suas metas vinculados diretamente nos indicadores para acompanhamento dos resultados efetivos do cumprimento da missão.

Quais tipos de problemas identificaram em relação ao saneamento básico da cidade? Como resolveram para chegar nos indicadores atuais?

Os principais problemas eram a vulnerabilidade do sistema de captação de água, que foi o primeiro item a ser atacado. Para essa solução, iniciou-se um ciclo de utilização de água subterrânea, com a perfuração de vários polos tubulares profundo, tanto do aquífero Bauru, como do aquífero Guarani.

O segundo grande problema foi o tratamento de esgotos, praticamente inexistente. Para isso foi necessário todo um planejamento e equação financeira para financiar a construção da Estação de Tratamento de Esgotos, que hoje, após sua ampliação, está apta a atender uma cidade de 600 mil habitantes. Junto com a estação, a construção de interceptores é imprescindível e continua sempre que há expansão da área urbana.

E o terceiro problema, que iniciamos o trabalho mais focado neste ano, é a universalização do saneamento, nas áreas mais vulneráveis do município, nos loteamentos que surgiram como irregulares e que hoje estão sendo regularizados. Junto com a regularização fundiária, é compromisso do SeMAE, definido no Plano Municipal de Saneamento Básico, Lei 12.822/2018 levar a infraestrutura de água e esgoto, com serviços de qualidade.

Investimentos sem uma boa gestão não trazem resultados. E o oposto? É possível ter sucesso com pouco recurso financeiro?

Os recursos são sempre necessários, mas mesmo com uma tarifa bastante módica é possível sim fazer uma boa gestão. É necessário rigor em novos empreendimentos, baseados em um planejamento urbano mais racional. Além disso, planejamento estratégico para que os investimentos tragam retorno o quanto antes e possam ser re- investidos.

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