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Volume de barragem do Rio Juramento cai a 20% e seca castiga Montes Claros

Volume de barragem do Rio Juramento cai a 20% e seca castiga Montes Claros

Estado de Minas
12/09/2017
Quantidade de água é a menor da história da represa. Copasa amplia restrição ao uso da água, perfura poços tubulares e inicia obra para captação no Rio Pacuí

A crise hídrica que se agravou em Montes Claros, cidade-polo de 400 mil habitantes, no Norte de Minas, leva a cidade a enfrentar um quadro inédito em sua história. Diante da falta de chuvas, o volume da barragem do RioJuramento (Sistema Rio Verde Grande), responsável por 65% do abastecimento da cidade, caiu para 20%, o mais baixo nível desde que foi construída, no início da década de 1980.

Na semana passada, a Copasa ampliou o sistema de restrição, que qualifica como “rodízio”, fornecendo água para a população durante 18 horas seguidas, com a interrupção no fornecimento de 30 horas (dois dias e seis horas). Além da perfuração de poços tubulares como medida paliativa, a concessionária de saneamentoiniciou a construção de uma adutora para buscar água no Rio Pacuí, a 56 quilômetros de distância, na zona rural do município de Coração de Jesus, o que deflagra uma espécie de batalha pela água entre as duas cidades. E, mesmo com todas as providências, não está descartado o risco de colapso no abastecimento.

Na tarde desta segunda-feira, o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto (PPS) anunciou que o município entrou com uma ação judicial contra a Copasa, solicitando o cancelamento do aumento de 11% da conta de água para os consumidores do município, por causa da precariedade no abastecimento, diante da crise hídrica. O chefe do executivo também disse que, na mesma ação, a prefeitura cobra da companhia de saneamentouma indenização de R$ 50 milhões por “danos coletivos” pelo fato de a empresa não ter adotado a tempo medidas que viessem a prevenir os transtornos causados à população com o racionamento de água. Além da restrição oficial de fornecimento, moradores das partes altas da cidade alegam que ficam sem abastecimento por até uma semana, problema decorrente da queda de pressão na tubulação.

Inaugurada em 1982, a barragem do Rio Juramento foi construída para atender o município até o ano 2000. Há mais de 15 anos foi anunciada a construção da barragem do Rio Congonhas (obra federal, projetada para o município de Itacambira) para atender também a necessidade de abastecimento de água de Montes Claros. Porém, até hoje a obra (orçada em cerca de R$ 400 milhões) não saiu do papel devido à burocracia governamental, dificuldade de licenciamento ambiental e falta de verbas.

Humberto Souto disse que enviou ofício até ao presidente Michel Temer solicitando liberação de verbas para o início imediato da construção da barragem de Congonhas. No entanto, disse que mesmo se ocorrer a liberação de recursos agora, a barragem só ficará pronta em oito a 10 anos. Desta forma, disse que a adutora para a busca de água do Rio Pacuí é uma obra necessária. O prefeito defende que a “solução” para a cidade é a captação de água no Rio São Francisco, a 110 quilômetros de distância, onde fica o ponto mais próximo de Montes Claros, no município de Ibiaí.

No fim da tarde de ontem, o superintendente do Distrito Operacional Norte da Copasa, Roberto Botelho, afirmou que ainda não foi informado sobre a ação da prefeitura contra a empresa, solicitando a suspensão do reajuste e a indenização de R$ 50 milhões diante do racionamento forçado pela crise hídrica. “Somente após a notificação vamos nos posicionar”, disse Botelho, lembrando que a questão terá que ser analisada pelo departamento jurídico da companhia. Conforme explicou o procurador da prefeitura de Montes Claros, Otávio Rocha, caso seja concedida liminar judicial derrubando o reajuste da conta de água, a medida valerá somente para os consumidores de montes Claros.

O rodízio no fornecimento de água na cidade vinha ocorrendo desde outubro de 2015. Roberto Botelho informou que, para impedir que a situação se agrave ainda mais, além de ampliar o tempo de interrupção do abastecimento, a companhia iniciou a perfuração de poços tubulares. Até agora, entraram em operação oito, mas a previsão é de que o total chegue a até 30 (mais 14 até o início de outubro e oito em novembro).

Segundo o superintendente, a expectativa da Copasa é que, com a ampliação do rodízio (no qual a cidade foi dividida em cinco regiões) e com o uso de água de poços tubulares, seja mantido o abastecimento até a chegada do período chuvoso (previsto para novembro) sem o agravamento da falta d’água.

Ele informou que a companhia iniciou a obra l para buscar água no Rio Pacuí, na zona rural de Coração de Jesus. No entanto, mesmo sendo emergencial, a intervenção orçada em R$ 135 milhões não vai resolver o problema do abastecimento na atual estação seca.

De acordo com Roberto Botelho, a previsão é de que a captação no manancial do município vizinho só seja iniciada em agosto de 2018. Ele salientou que a esperança é de que as próximas chuvas sejam suficientes para a recuperação da barragem do Rio Juramento e do próprio Rio Pacuí, que também está baixo. “Do contrário, caso não tenhamos uma boa quantidade de chuvas, não teremos como evitar o colapso”, alertou.





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