Kit do Eleitor, do Instituto Trata Brasil, reúne informações sobre o porquê o saneamento deve ser prioridade na agenda eleitoral
Em ano eleitoral, é comum que o saneamento básico apareça nos discursos de campanha sem virar compromisso real. Para ajudar o eleitor a cobrar propostas concretas, o Instituto Trata Brasil lançou o Kit do Eleitor, material da campanha Voto no Saneamento. A seguir, um guia rápido com os principais pontos:
1. Por que isso importa: o que o país ganha com a universalização?
Segundo o estudo “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Brasileiro“, do Trata Brasil em parceria com a consultoria EX Ante, universalizar o saneamento pode gerar R$ 1,455 trilhão em benefícios ao país entre 2021 e 2040, e mesmo descontando os custos de investimento, o saldo líquido chega a R$ 815,7 bilhões no período.
- Saúde: a economia com a redução de custos de saúde deve somar R$ 25,1 bilhões até 2040, um ganho anual de R$ 1,25 bilhão.
- Produtividade do trabalho: é o maior ganho entre todos os setores analisados, R$ 438 bilhões até 2040, quase R$ 22 bilhões por ano. Trabalhadores que vivem em moradias sem nenhum acesso ao saneamento chegam a ganhar 83% a menos do que aqueles com acesso integral à água e ao esgoto.
- Valorização imobiliária: R$ 48 bilhões até 2040, cerca de R$ 2,4 bilhões por ano.
- Turismo: R$ 80 bilhões até 2040, cerca de R$ 4 bilhões por ano.
Para além desses benefícios, a universalização do saneamento é um motor do desenvolvimento socioeconômico e um caminho para alcançar um país mais justo. São crianças com mais tempo de escolaridade, já que não perdem aula por causa de doenças evitáveis, trabalhadores mais saudáveis e produtivos, famílias com mais tempo de lazer, porque gastam menos horas cuidando dos efeitos da falta de água tratada e esgoto.
2. Quem é responsável pelo quê?
O Kit do Eleitor esclarece as atribuições de cada cargo em disputa, para que a cobrança seja feita à pessoa certa:
- Presidente e senadores: definem a política nacional de saneamento, aprovam o orçamento federal para o setor e fiscalizam a aplicação dos recursos da União.
- Governadores: estruturam a prestação regionalizada dos serviços, organizam municípios em blocos ou microrregiões, contratam prestadoras estaduais, definem o plano estadual de saneamento e cuidam da drenagem nas regiões metropolitanas.
- Deputados federais e estaduais: atuam na regulamentação por meio de leis e na fiscalização das concessionárias e do orçamento destinado ao setor.
3. A Régua do Voto Consciente
Para separar compromisso de discurso vazio, o material propõe cinco elementos que toda proposta séria de saneamento precisa reunir:
- Meta: número e percentual de cobertura definidos.
- Prazo: cronograma com etapas claras.
- Dinheiro: origem do recurso que vai bancar o investimento.
- Governança: quem será responsável pela entrega e pela fiscalização.
- Indicador: onde os dados ficam publicados, para acompanhar se a promessa saiu do papel.
4. Perguntas para fazer ao seu candidato
O Kit do Eleitor traz perguntas prontas organizadas por tema, para usar em entrevistas, debates e redes sociais:
- Enchentes e drenagem: o estado tem plano real contra alagamentos ou só age depois do desastre? Qual o investimento estadual em drenagem previsto para os próximos quatro anos?
- Economia: quanto o estado perde, em saúde, produtividade e investimento, por não ter saneamento completo?
- Água e esgoto: quantas pessoas no estado ainda vivem sem água tratada ou sem esgoto coletado? Qual a meta estadual para universalizar o saneamento até 2033, prazo do Marco Legal do Saneamento Básico?
O Kit do Eleitor integra a campanha Voto no Saneamento, que reúne dados por estado e propostas para os planos de governo 2027-2030. O Instituto Trata Brasil reforça que a iniciativa tem caráter exclusivamente informativo e educativo, sem apoiar, indicar ou financiar candidatos, partidos ou coligações. Compartilhe o kit, faça a pergunta, mude o debate.



