Combater as perdas é, antes de tudo, garantir o acesso pleno à água para todos os brasileiros
No país, ainda existem cerca de 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, enquanto 39,5% do recurso é perdido antes de chegar às residências. Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que, nas 100 maiores cidades brasileiras, o indicador médio computado na amostra foi de 35,56% em 2024, o que representa uma piora em relação aos 31,09% computados em 2023.
Quadro 1 – Destaques negativos no Índice de Perdas na Distribuição

Os municípios com piores resultados estão majoritariamente localizados nas regiões Norte e Nordeste. Além disso, é possível observar que entre os dez piores índices, considerando os 100 maiores municípios brasileiros, seis são capitais: Rio Branco (AC), Salvador (BA), Boa Vista (RR), Belém (PA), Maceió (AL) e Belo Horizonte (MG).
A melhor gestão e eficiência nos sistemas de distribuição estão diretamente ligadas à universalização do saneamento básico. Combater as perdas é, antes de tudo, garantir o acesso pleno à água para todos os brasileiros, proteger os mananciais e responder aos efeitos das mudanças climáticas com a infraestrutura que o país já tem, mas ainda desperdiça.
Menores níveis de perdas tendem a ampliar a sustentabilidade econômico-financeira dos prestadores, reduzindo pressões sobre tarifas futuras e liberando recursos para investimentos em expansão, manutenção e melhoria dos serviços. Para tanto, é necessário priorizar essa agenda com a implementação de programas que unam eficiência e inovação e, consequentemente, acelerar o ritmo dos investimentos para que o Brasil atinja a meta de 25% em perdas na distribuição até 2033, conforme previsto pela Portaria 788/2024.




