No Brasil, todos os dias um total de 5.442 piscinas olímpicas de esgoto são lançadas no meio ambiente sem qualquer tratamento
A cada minuto, quase quatro piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza brasileira. Por dia, são 5.442 piscinas, segundo o esgotômetro do Instituto Trata Brasil, que tem como base o índice de tratamento de esgoto do SINISA, ano-base 2024. Somado ao longo do ano, esse volume já ultrapassou a marca de 1 milhão de piscinas olímpicas despejadas sem tratamento em 2026, reflexo de um país que trata pouco mais da metade (51,8%) do esgoto que gera.
Esse déficit de tratamento tem consequências diretas sobre a saúde da população. A falta de coleta e tratamento de esgoto está associada a mais casos de doenças de veiculação hídrica, que afastam crianças da escola, reduzem a produtividade dos trabalhadores e sobrecarregam o SUS com internações evitáveis. Esse ciclo penaliza, sobretudo, as populações mais vulneráveis, que costumam ter menor acesso aos serviços básicos.
Reverter esse quadro tem um retorno mensurável. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, universalizar os serviços básicos pode gerar R$ 1,455 trilhão em benefícios ao país entre 2021 e 2040, o equivalente a um saldo líquido de R$ 815,7 bilhões depois de descontados os investimentos necessários. Passado2040, o legado dessa universalização, com ganhos que se perpetuam ao longo do tempo, ultrapassa R$ 1,7 trilhão.
Reduzir o volume de esgoto sem tratamento depende, em grande parte, da prioridade que o tema recebe na agenda pública. Estamos em um ano eleitoral, onde serão escolhidos os governantes que vão priorizar – ou não – o tema. Para isso, o ITB criou o Voto no Saneamento, plataforma que reúne dados e indicadores para o eleitor cobrar propostas dos candidatos e que também oferece aos próprios candidatos um kit de apoio com checklists e modelos de propostas para incluir o saneamento nos planos de governo estaduais 2027-2030.




