Redução de perdas pode ampliar a oferta de água sem necessidade de novas captações e contribuir para o cumprimento de metas do setor
Um estudo do Instituto Trata Brasil, com base em dados de 2023, aponta que mais de 6 mil piscinas olímpicas de água tratada são perdidas diariamente, o que equivale a 21 milhões de caixas d’água (capacidade de 750 litros). Essas informações consideram o volume total de água não faturada (consumida sem autorização ou perdida antes de chegar ao consumidor) em 2023 — cerca de 5,8 bilhões de m³.
As perdas de água podem ocorrer por diversos motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados no processo de abastecimento de água. Esses desperdícios trazem impactos negativos ao meio ambiente e aos custos de produção das empresas, o que encarece o sistema como um todo, prejudicando, em última instância, todos os usuários.
No Brasil, a definição de nível aceitável de perdas foi estabelecida pela Portaria nº 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), que indica que, para um município apresentar níveis excelentes de perdas, deve registrar no máximo 25% de perdas na distribuição e 216 L/ligação/dia até 2034.
Reduzir as perdas significa aumentar a disponibilidade de recursos hídricos no sistema de distribuição sem a necessidade de ampliar o volume de água captado ou explorar novos mananciais, o que resulta em menores custos, além de evitar impactos ao meio ambiente.
Ao se considerar não a eliminação total das perdas físicas, mas a redução dos 40,31% (SINISA 2023) para os 25% previstos na Portaria nº 490/2021, o volume economizado seria da ordem de 1,9 bilhão de m³. Isso equivale ao consumo médio de aproximadamente 31 milhões de brasileiros em um ano, ou 92% da população que não tinha acesso ao abastecimento de água em 2023.
No dia 22 de março, Dia Mundial da Água, data criada pela Organização das Nações Unidas, o tema ganha ainda mais relevância e reforça a importância de valorizar e proteger esse recurso essencial para a vida. A data também chama a atenção para a necessidade de reduzir o desperdício e avançar na eficiência dos sistemas de abastecimento, especialmente em um cenário de mudanças climáticas, em que milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água.




