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>Dois ‘Brasis’? Situação de saneamento nas cinco melhores e piores capitais brasileiras evidencia realidades distintas

15ª edição do Ranking do Saneamento mostra um panorama heterogêneo nos serviços básicos entre as 27 capitais brasileiras

O Instituto Trata Brasil (ITB) publica anualmente, desde 2009, o Ranking do Saneamento, relatório que faz uma análise dos indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) disponibilizados pelo Ministério das Cidades, monitorando assim os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de dar luz a um problema histórico vivido no país que é o saneamento básico.

Entre as cinco melhores capitais do país no Ranking do Saneamento 2023, o principal destaque é São Paulo (SP) que ocupa a 7ª posição e está entre as 10 melhores cidades nos indicadores de saneamento. A segunda melhor capital é Curitiba (PR) que aparece na 15ª colocação, seguido de Palmas (TO), na 16ª posição. Na 20ª e 22ª posição figuram Brasília e Goiânia, respectivamente.

Quadro 1 – Indicadores de Saneamento das cinco melhores capitais brasileiras

Fonte: GO Associados l Instituto Trata Brasil

Em relação aos indicadores de saneamento das capitais, destaques no Ranking, todas atendem ao menos 98% dos habitantes com à água potável – ênfase para São Paulo e Curitiba que levam o recurso hídrico para 100% de sua população. No que diz respeito ao índice de coleta de esgoto, as cinco capitais levam o serviço para pelo menos 90% da população e todas essas cidades apresentam o tratamento de esgoto maior que o nível nacional (51,2%). Ademais, entre as melhores capitais, o índice de perdas de água na distribuição é menor que a média do país (41,3%) – destaque para Goiânia que perde apenas 19,5% da água potável. 

Quadro 2 – Indicadores de Saneamento das cinco piores capitais brasileiras

Fonte: GO Associados l Instituto Trata Brasil

Como é possível observar no quadro acima, na parte de baixo do ranking estão as cinco piores capitais brasileiras no saneamento básico, concentrando-se nas regiões Norte e Nordeste. Todas figuram entre os 10 destaques negativos do Ranking 2023. O município de Macapá (AP) ocupa a última colocação, perdendo apenas para Porto Velho (RO), na 98ª posição, seguidas pelas capitais do Pará, Acre e Alagoas (Belém, Rio Branco e Maceió) respectivamente na 95º, 94º e 93 posição.

Esses municípios figuram em uma situação preocupante, uma vez que os habitantes dessas localidades continuam em uma realidade precária em relação aos serviços básicos, sendo impactados negativamente pela falta do acesso à água potável e, principalmente, por não terem atendimento de coleta e tratamento de esgoto. 

Com metas definidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei Federal 14.026/2020), o país tem como propósito fornecer água para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%, até 2033. Desta forma, o Ranking do Saneamento 2023 liga um alerta para as capitais brasileiras e para os demais municípios nas últimas posições, para que possam atuar pela melhoria dos serviços, beneficiando assim a natureza e a sua população.