A precariedade do saneamento, ao aumentar a incidência de infecções, provoca o afastamento das pessoas de suas atividades cotidianas
Em localidades com saneamento precário, próximas a rios e córregos poluídos por esgoto sem tratamento, é comum que famílias inteiras enfrentem episódios recorrentes de diarreia, hepatite A e outras doenças ligadas à falta de saneamento básico. Esse cenário, distante de ser exceção, ainda é realidade para milhões de brasileiros.
O estado de São Paulo aparece como um exemplo disso. De acordo com dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, foram registrados 1.880 casos de hepatite A no primeiro semestre de 2026, quantidade superior ao total contabilizado em todo o ano de 2025, quando houve 1.663 notificações.
A falta de água tratada e carência de serviços de coleta e de tratamento de esgoto tem um impacto direto sobre a saúde da população, pois eleva a incidência de infecções gastrointestinais e doenças respiratórias. Além dos impactos para o bem-estar da população, a falta de saneamento básico, ao aumentar a incidência de infecções, provoca o afastamento das pessoas de suas funções laborais, acarretando custos para a sociedade com horas não trabalhadas, além de incorrer em despesas públicas e privadas com o tratamento dessas pessoas infectadas.
De acordo com dados do DATASUS (2024), presentes no Painel Saneamento Brasil, o Brasil teve aproximadamente 340 mil internações por doenças associadas à falta de saneamento e 4.877 óbitos por essas enfermidades. No Sudeste, foram mais de 109 mil internações e 2.052 óbitos por essas enfermidades.
A universalização do saneamento precisa acontecer em um ritmo muito mais rápido do que o atual, para melhorar a expectativa e qualidade de vida das populações mais vulneráveis e reduzir internações, óbitos e desigualdades sociais associadas à falta de água tratada e coleta de esgoto no Brasil.




