Voto no Saneamento reúne propostas e critérios para cobrar dos candidatos compromissos concretos com água e esgoto nos planos de governo 2027-2030
No dia 15 de agosto encerra o prazo para que os partidos registrem oficialmente seus candidatos na Justiça Eleitoral. A data marca um momento decisivo em um ano eleitoral que definirá os governos responsáveis por priorizar (ou não) o saneamento básico nos próximos quatro anos.
O saneamento ainda ocupa pouco espaço no debate público. Em um cenário ainda preocupante, mais de 32 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e quase 90 milhões não têm coleta de esgoto. Somente em 2024, cerca de 340 mil pessoas foram internadas por doenças associadas à falta de saneamento, como diarreia, dengue, hepatite e leptospirose.
Para trazer esse debate, o Instituto Trata Brasil criou o Voto no Saneamento, plataforma que oferece às candidaturas um kit de apoio com checklists e modelos de propostas para incluir o saneamento nos planos de governo de 2027-2030.
A plataforma reúne oito propostas organizadas em três eixos — planejamento, regionalização e coordenação para a universalização; viabilização de investimentos e superação de gargalos; e governança e regulação do saneamento básico. Cada proposta traz um diagnóstico rápido, diretrizes e ações com prazo, prontas para incorporar ao plano de governo, com um lembrete central: o Brasil tem até 2033 para universalizar o acesso à água e ao esgoto, prazo que recai justamente sobre o próximo mandato, 2027-2030.
O Voto no Saneamento disponibiliza um kit de apoio em formato editável, com checklists de ações prioritárias e modelos de propostas, além de indicar onde buscar os dados específicos de cada estado no Painel Saneamento Brasil.
Sendo assim, para ajudar eleitores, jornalistas e as próprias equipes técnicas a diferenciar um compromisso sério de uma intenção vaga, existem cinco elementos essenciais em qualquer proposta sobre o tema:
- Meta — quantas pessoas passam a ter acesso, qual o percentual de cobertura.
- Prazo — cronograma real, com etapas intermediárias.
- Dinheiro — origem do recurso (federal, estadual, concessão, financiamento).
- Governança — quem é responsável pela entrega, se há regulador e controle social.
- Indicador — onde os dados ficam publicados, se há transparência.
Sem esses cinco elementos, uma proposta de saneamento tende a ficar no campo da intenção e não do compromisso de governo.
Garantir água tratada e coleta e tratamento de esgoto para toda a população significa melhoria na saúde pública, na produtividade econômica e na qualidade de vida. Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que cada R$ 1 investido em saneamento gera R$ 4,10 em retorno social e econômico, o que reforça que investir nos serviços básicos é um caminho para construir um país mais justo e digno.
*O Instituto Trata Brasil não apoia, indica nem financia candidatos ou partidos. O nosso interesse é exclusivamente qualificar o debate público sobre um serviço básico.




