De acordo com o Ranking do Saneamento 2026, apenas um município investe mais que a estimativa do PLANSAB para a universalização, de R$ 225 por habitante
Como é o panorama de saneamento das 27 capitais brasileiras? O Ranking do Saneamento 2026, estudo do Instituto Trata Brasil, traz esse cenário a partir de dados do SINISA (ano-base 2024).
Entre as capitais, apenas cinco possuem ao menos 99% de cobertura no abastecimento total de água, atingindo assim a meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento, de 99% de oferta de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Embora a média do indicador seja de 93,67%, a situação no país é bastante heterogênea. Em algumas capitais da região Norte, os níveis de atendimento ainda estão próximos ou abaixo de 50%, como em Rio Branco (AC), com 46,74%, e Porto Velho (RO), com 30,74%
Quadro 1: Principais Indicadores de Saneamento Básico das Capitais

Em relação à coleta total de esgoto, apenas sete capitais têm índice de mais de 90% de atendimento: Goiânia (GO), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Boa Vista (RR) e Belo Horizonte (MG). Por outro lado, há capitais na região Norte com taxas de esgotamento sanitário baixas, inferiores a 15%:Macapá (AP) coleta esgoto de apenas 14,94% da população, enquanto Porto Velho (RO), apenas 8,69%.
No que diz respeito ao tratamento de esgoto, os gargalos parecem ainda maiores, uma vez que somente sete capitais apresentam ao menos 80% de tratamento: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Enquanto, três capitais trataram menos de 20% do esgoto coletado: São Luís (MA), com 15,78%; Teresina (PI), com 18,74%; e Porto Velho (RO), com 19,72%.
Entre 2020 e 2024, as 27 capitais investiram cerca de R$ 34 bilhões em saneamento. A cidade de São Paulo (SP) realizou quase 36% desse montante, com aproximadamente R$ 12,2 bilhões, seguida pelo Rio de Janeiro (RJ), com R$ 3,9 bilhões, e por Fortaleza (CE), com R$ 2,2 bilhões.
Observando o investimento médio anual por habitante no período, Cuiabá (MT) foi a capital que mais investiu, com R$ 349,98 por habitante. O município foi o único a investir mais que a estimativa do PLANSAB para a universalização, de R$ 225. A segunda capital que mais investiu em termos per capita foi Campo Grande (MS), com R$ 217,39 por habitante, seguida de Florianópolis (SC), com R$ 216,73 por habitante. A média das capitais foi de pouco mais da metade do estipulado pelo PLANSAB, com R$ 138,27 por habitante entre 2020 e 2024. O patamar mais baixo foi observado em Rio Branco (AC), com R$ 8,99 por habitante, o que ilustra em grande parte sua posição no Ranking de 2026.
Os dados do Ranking do Saneamento 2026 mostram que, apesar de avanços pontuais, a maior parte das capitais brasileiras ainda está distante das metas de universalização previstas para 2033 pelo Marco Legal do Saneamento Básico. Ampliar e qualificar os investimentos, especialmente nas regiões com maiores déficits, segue sendo condição indispensável para garantir água tratada e esgoto coletado e tratado para toda a população.




