Estudo do Instituto Trata Brasil projeta redução de 3,4% na disponibilidade hídrica até 2050: universalizar o saneamento e reduzir perdas de água são caminhos para conter o impacto
De volta com força em 2026, o El Niño vem intensificando os efeitos nas regiões brasileiras nesse segundo semestre do ano. O fenômeno é um retrato, em tempo real, do que as mudanças climáticas devem tornar rotina: segundo o Instituto Trata Brasil, o Brasil pode enfrentar em média 12 dias de racionamento de água por ano até 2050, podendo passar de 30 dias em regiões do Nordeste e do Centro-Oeste.
As mudanças climáticas representam uma crescente ameaça para o setor de saneamento no Brasil, intensificando desafios já existentes e criando riscos para a operação de sistemas de água e esgoto.
O estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas“, do Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria EX Ante, projeta um aumento de aproximadamente 1°C na temperatura máxima e de 0,47°C na mínima até 2050, na comparação com os níveis de 2023. A tendência é de menos dias de chuva, calor intenso, secas e tempestades, um padrão que já se manifesta durante o El Niño atual.
O aumento de temperatura, por si só, deve elevar o consumo de água em 12,4% além do crescimento já esperado por fatores econômicos e populacionais, uma demanda extra de 2,113 bilhões de m³ por ano, que exigiria produzir mais 3,515 bilhões de m³ anuais mantendo o mesmo nível de perdas registrado em 2023.
Para a população, os riscos climáticos intensificam a desigualdade no acesso a serviços de saneamento básico de qualidade, especialmente em áreas urbanas periféricas e rurais, já que enfrentam dificuldades de infraestrutura. A escassez hídrica pode limitar o acesso à água para higiene pessoal, preparo de alimentos e outras necessidades básicas, além de elevar o risco de doenças de veiculação hídrica pelo uso de fontes alternativas inseguras.
Universalizar o saneamento básico é parte da mitigação das mudanças climáticas, já que reduzir perdas, tratar o esgoto e planejar o abastecimento com mais eficiência diminuem a pressão sobre os recursos hídricos e a vulnerabilidade das cidades a eventos climáticos extremos.
O contexto reforça a necessidade de políticas de adaptação que assegurem o acesso à água e saneamento em cenários climáticos extremos, promovendo a resiliência das comunidades mais afetadas. É esse compromisso que o Voto no Saneamento busca colocar nos planos de governo dos candidatos aos governos estaduais em 2026, para que a resposta ao clima não fique só no discurso.




