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>Estados do Norte e do Nordeste estão entre os cinco com as maiores privações de coleta de esgoto

No Brasil, mais de 22 milhões de residências ainda não contam com os serviços de coleta de esgoto

Estudo inédito lançado pelo Instituto Trata Brasil, produzido em parceria com a EX ANTE Consultoria Econômica e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), “A vida sem saneamento: para quem falta e onde mora essa população?” analisa o perfil da população brasileira que sofre com privações dos serviços de saneamento básico, utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada Anual (PNADCA), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2013 e 2022. 

Na privação que analisa o acesso à rede geral de coleta de esgoto, os dados mostram que  22,832 milhões de moradias brasileiras sofriam com a ausência desse serviço em 2022. O estudo indica que 42,7% das residências com privação de acesso à coleta de esgoto estavam no Nordeste, totalizando 9,750 milhões de moradias. Entre os estados da região, a maior concentração de moradias com essa privação estava no Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. No Nordeste, metade das moradias ainda não tinha acesso à coleta de esgoto.

Mapa 1 – Moradias e população com privação de coleta de esgoto por rede geral, em (%) dos totais, 2022

Na região Norte, o problema também foi grave, com 3,915 milhões de moradias sem coleta de esgoto, ou ainda 17,1% do total nacional. Ademais, neste caso, a parcela que essas moradias representam do total de habitações foi ainda maior do que a nordestina: 69 a cada 100 domicílios não tinham acesso à coleta de esgoto. Os maiores problemas estavam nos estados do Pará e Amazonas, onde se situavam respectivamente 2,062 milhões e 629 mil residências sem coleta de esgoto – a falta de coleta de esgoto atingiu quase 80% das moradias paraenses e 54% das amazonenses.

Em termos populacionais, o número de brasileiros que moravam nas residências com privação de coleta de esgoto em 2022 foi de 69,706 milhões. Novamente, a maior parte do problema (43,3%) também estava localizada nos estados do Nordeste brasileiro, totalizando 30,208 milhões de pessoas. A maior concentração de pessoas com essa privação estava nos estados do Maranhão, Bahia e Ceará. No Maranhão, aproximadamente 76 a cada 100 habitantes ainda não tinham acesso ao serviço de coleta de esgoto. 

A ausência desse serviço também foi grave no Norte do país, pois havia 13,214 milhões de pessoas vivendo em moradias sem coleta de esgoto, ou seja,  70 a cada 100 pessoas não dispunham de coleta de esgoto em suas casas. Os maiores índices estavam novamente nos estados do Pará e Amazonas, onde se situavam respectivamente 7,026 milhões e 2,345 milhões de habitantes sem coleta de esgoto. 

Os cinco piores estados percentualmente com privação aos serviços de coleta de esgoto, considerando moradias e a população, foram das regiões Nordeste e Norte do país: Piauí, Amapá, Pará, Rondônia e Maranhão.

Tabela 1 – Os cinco estados com a maior privação de coleta de esgoto por rede geral, em (%) dos totais, 2022