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>Quase metade das praias de Santa Catarina não são próprias para banho

Os serviços de coleta e tratamento de esgoto são gargalos a serem superados pelo estado da Região Sul

Em Santa Catarina, cerca de 295 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas diariamente no meio ambiente e, consequentemente, nos corpos hídricos da localidade. Ou seja, apenas 34,8% do esgoto gerado é tratado. Não obstante, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano base 2022, apontam que 70,9% da população catarinense não têm o serviço de coleta de esgoto. Como resultado da precariedade de saneamento básico, a balneabilidade das praias é afetada, aumentando os locais impróprios para banho.

Segundo informações do Instituto do Meio Ambiente (IMA), divulgadas no dia 2 de fevereiro, Santa Catarina tem 142 pontos próprios para banho, ou seja, cerca de 59,66% dos locais oferecem segurança para contato primário. Ao todo, foram analisados 238 locais pelo Instituto. 

Uma praia pode ser considerada imprópria quando suas amostras de água contam com mais de  2500 coliformes fecais (termotolerantes), 2000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 mililitros, surtos de doenças associadas à veiculação hídrica na região, presença de resíduos na água, como esgoto sanitário, óleos, graxas e outras substâncias que ofereçam riscos à saúde dos banhistas. 

Desta forma, as condições sanitárias são determinantes para manter a qualidade e proteção dos corpos hídricos. A ausência da coleta adequada de esgoto e o seu desejo irregular contaminam as águas e, por consequência, a população fica mais suscetível a contrair doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico.
Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que caso Santa Catarina alcance a universalização até 2040, o estado teria ganhos líquidos, ou seja, já descontados os investimentos necessários, de 14,8 bilhões em benefícios. Num período de 35 anos, ou seja, até 2055, os ganhos seriam de R$ 23,9 bilhões.Na área do turismo, entre 2021 e 2055, o valor presente dos ganhos poderia alcançar R$ 5,4 bilhões, indicando um fluxo médio anual de R$ 154,0 milhões – fruto da valorização ambiental que pode ser obtida com a melhoria da balneabilidade das praias, da despoluição dos rios e córregos e a oferta universal de água tratada, pré-condições para o pleno exercício das atividades de turismo.