Estudo do Instituto Trata Brasil mostra que o combate às perdas deixa um benefício líquido de R$ 23,6 bilhões
O Brasil perde 39,53% da água tratada antes que ela chegue às torneiras, o que significa produzir, tratar e bombear um volume que acaba sendo desperdiçado antes de chegar para as famílias.
Um estudo do Instituto Trata Brasil calculou quanto o país pode ganhar ao reduzir esse índice. No cenário realista, em que as perdas na distribuição caem de 39,53% para 25% até 2033, patamar fixado como meta pela Portaria MCID nº 788/2024, o potencial de ganhos brutos chega a R$ 47,3 bilhões. Considerando os investimentos necessários para alcançar a redução, o benefício é de R$ 23,6 bilhões em dez anos.
Quadro 1 – Sumário dos Impactos de Redução das Perdas

O estudo também simulou outros dois cenários para 2033. Se o país reduzir as perdas apenas a 35%, os ganhos brutos seriam de R$ 14,7 bilhões, com benefício líquido de R$ 7,4 bilhões. Já num cenário otimista, com perdas de 15%, os ganhos brutos chegariam a R$ 79,8 bilhões e o benefício líquido a R$ 39,9 bilhões. Ou seja, quanto mais ambiciosa a meta, maior o retorno para o país.
Esses ganhos têm origem em uma cadeia de custos evitados. Quanto menor a perda, menos água precisa ser captada e tratada para entregar o mesmo volume. Os recursos economizados podem ser reinvestidos na expansão e na melhoria dos serviços, o que beneficia principalmente quem ainda espera pelo acesso à água tratada.
Para a população, reduzir as perdas dos atuais 39,53% para 25% economizaria cerca de 2,8 bilhões de m³ de água por ano, volume equivalente ao consumo médio de aproximadamente 48 milhões de brasileiros em um ano e suficiente para abastecer, por dois anos, os 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis. É água que já foi captada e tratada e que pode chegar a quem hoje convive com a falta de abastecimento, sem depender de novas obras de grande porte.
Outro benefício observado é para o meio ambiente, uma vez que menos perdas significam menos água retirada dos mananciais, menor pressão sobre fontes de abastecimento já sobrecarregadas e menor custo para mitigar os impactos ambientais dessa atividade, além de evitar o uso de fontes alternativas de menor qualidade ou de difícil acesso.
Combater as perdas é usar de forma mais eficiente a infraestrutura que o país já tem, e não apenas uma questão de eficiência operacional. Acelerar os investimentos em programas que unam eficiência e inovação é o caminho para que o Brasil alcance a meta de 25% e transforme água hoje desperdiçada em saúde, qualidade de vida e proteção dos recursos hídricos.




