Entre as regiões brasileiras, o Norte e o Nordeste apresentam os números mais precários de coleta e tratamento de esgoto
No Brasil, aproximadamente 90 milhões de pessoas ainda não têm acesso à coleta de esgoto e apenas 51,8% do esgoto gerado é tratado antes de retornar ao meio ambiente. Quando não há acesso a esses serviços, a população adoece e se afasta das suas atividades laborais, e o meio ambiente é diretamente contaminado.
O impacto da ausência de saneamento se estende à agricultura, à pecuária e ao turismo, setores que dependem diretamente do acesso pleno desses serviços. Mas é sobre a população que os efeitos mais imediatos se fazem sentir: a falta de esgotamento sanitário cria condições propícias à proliferação de doenças de veiculação hídrica, que afetam pessoas de todas as idades, de crianças a idosos.
Tabela 1 – Indicadores de coleta e tratamento de esgoto, Brasil e regiões
Os dados do SINISA (ano-base 2024), presentes no Painel Saneamento Brasil, evidenciam que o problema se distribui de forma heterogênea pelo país. As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores déficits: no Norte, apenas 16,6% da população conta com coleta de esgoto e somente 22,5% do esgoto gerado é tratado. No Nordeste, 31,7% têm acesso à coleta, ou seja, mais de 36 milhões de nordestinos vivem sem esse serviço, e apenas 34,6% do esgoto é tratado.
O Sul também apresenta um cenário preocupante, com apenas 49,6% da população com coleta de esgoto e somente 46,6% do esgoto tratado, índices abaixo da média nacional. As regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentam indicadores mais avançados, mas ainda distantes da universalização. O Sudeste atende 80,8% da população com coleta e trata 62,3% do esgoto gerado. No Centro-Oeste, os índices chegam a 64,2% e 54,7%, respectivamente.
Para alcançar a universalização até 2033, todas as localidades do país devem atender 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto, conforme define o Marco Legal do Saneamento Básico. Avançar nesse objetivo requer planejamento e ampliação consistente dos investimentos. O acesso pleno ao saneamento reduz o número de internações por doenças de veiculação hídrica, aumenta a produtividade do trabalho e impulsiona o desenvolvimento econômico das localidades.
Em um ano eleitoral, o tema precisa ocupar espaço nas agendas dos candidatos e nas cobranças dos eleitores. Para agregar nessa pauta, o Instituto Trata Brasil lançou o Voto no Saneamento, uma iniciativa que busca ampliar a visibilidade do tema no contexto eleitoral. A plataforma reúne conteúdos informativos sobre saneamento básico e disponibiliza orientações para que eleitores possam incluir o tema nas discussões com os candidatos.




