Estudo do Trata Brasil mostra quanto cada estado perde diariamente e quantas pessoas poderiam ser atendidas com a redução das perdas à meta de 25%
Pense em uma caixa d’água de 750 litros, suficiente para uma família de cinco pessoas, sendo esvaziada e jogada fora. Agora imagine isso acontecendo 16,2 milhões de vezes por dia. É esse o volume de água tratada que o Brasil perde por vazamentos nas redes de distribuição, segundo o Estudo de Perdas de Água 2026 (SINISA, 2024), do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Em 2024, as perdas físicas somaram cerca de 4,4 bilhões de m³, o equivalente a 4,8 mil piscinas olímpicas desperdiçadas por dia.
Esse desperdício acontece em um país onde cerca de 33 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à água tratada e onde 39,53% da água tratada se perde na distribuição, acima da meta de 25% estabelecida pela Portaria MCID nº 788/2024. Só nas capitais brasileiras, as perdas físicas equivalem a mais de 5 milhões de caixas d’água de 750 litros por dia.
Quadro 1 – Benefícios sociais da redução de perdas por estado em 2024

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. Nota: a população potencialmente atendida é calculada considerando-se somente as perdas físicas, e uma redução das perdas totais de água na distribuição (IAG2013) até a meta de 25% definida na Portaria 788/2024.
Cada caixa d’água perdida significa mais captação nos mananciais, mais energia e mais produtos químicos gastos para tratar e bombear uma água que não chega a ninguém, em um momento em que as mudanças climáticas já pressionam a disponibilidade hídrica.
Reduzir esse desperdício teria um efeito direto na vida da população. Segundo o estudo, se as perdas na distribuição caíssem dos atuais 39,53% para a meta de 25%, a água economizada seria suficiente para atender quase 48 milhões de brasileiros, mais do que o total de pessoas que hoje vivem sem acesso à água tratada, cerca de 33 milhões.
Por isso, combater o desperdício não é um detalhe operacional, mas faz parte essencial do caminho para a universalização do saneamento no país, porque não há como garantir água para todos sem cuidar bem do que já é produzido.



