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>Dengue e saneamento: especialista do Trata Brasil alerta que a ausência do básico favorece a proliferação do mosquito

Luciano Pamplona, embaixador do ITB, indica quais devem ser os cuidados da população para prevenção da doença

Em meio ao aumento de casos de dengue, o país presencia um cenário de alerta. Nas primeiras quatro semanas de 2024 foram mais de 217 mil casos da doença,  mais que o triplo em relação ao mesmo período de 2023.

Doença viral transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, a dengue é classificada como arbovírus e apresenta quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DEVN-3, DEVN-4). Entre os sintomas, a pessoa infectada pode ter febre alta (39°C e 40°C), dores musculares, articulares, dor de cabeça e atrás dos olhos,  mal-estar geral, náusea, manchas vermelhas na pele com ou sem coceira. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico que podem levar a pessoa a óbito.

Entre condições favoráveis para aparição de criadouros do mosquito, a ausência do saneamento básico e fatores climáticos propiciam o aumento dos casos da doença. Biólogo com especialização em vigilância epidemiológica e epidemiologia, Luciano Pamplona, um dos embaixadores do Trata Brasil, aponta como a universalização  dos serviços básicos é essencial para combater a dengue. 

Confira a entrevista com o especialista na íntegra:

– A falta de saneamento propicia a proliferação do mosquito da dengue? Por quê?

Certamente. A ausência de saneamento contribui para o aumento da oferta de potenciais criadouros de mosquitos. Ou seja, condições em que a água fica acumulada de forma desprotegida acabam criando ambientes favoráveis à reprodução do Aedes aegypti.

– Qual deve ser o foco do país para a diminuição dos casos de dengue?

As ações de controle da dengue devem ser desenvolvidas diariamente. Um exemplo clássico de medida que impactaria de forma definitiva seria a ampliação da oferta de água e esgotamento sanitário para a população. Importante ampliar as campanhas para sensibilizar a população sobre medidas de controle que precisam ser feitas em cada casa e, nesse momento, em que os casos estão se concentrando em áreas que não tinham histórico de epidemias anteriores precisamos atualizar os profissionais de saúde em relação ao manejo adequado dos doentes.

– A universalização da água potável e da coleta e tratamento de esgoto são uma das medidas necessárias para combater o Aedes aegypti?

Sem nenhuma dúvida. Sem água em quantidade e qualidade adequada a população precisa juntar água nos mais diferentes tipos de reservatórios. Esses são exatamente os principais criadouros de mosquitos na maior parte das cidades brasileiras. Exatamente os depósitos que a população utiliza para armazenar água para consumo. A universalização dessas medidas impacta diretamente na redução dos potenciais criadouros de mosquitos.

– De que maneira o cidadão pode se prevenir contra a dengue?

O mosquito se reproduz, na maioria das vezes, dentro ou no entorno das residências. Portanto, medidas como inspecionar suas casas para verificar a presença de reservatórios que possam acumular água, de forma desprotegida, seriam as melhores e mais eficientes formas de controle. Conversar com vizinhos para que façam o mesmo também se mostra uma medida importante já que os vetores podem se espalhar.