Levantamento do Instituto Trata Brasil e da GO Associados avaliou os planos de governo de 62 candidatos competitivos a governador nas eleições de 2026, medindo o comprometimento de cada um com a agenda de saneamento
Historicamente, o saneamento recebeu menos prioridade no planejamento público do que obras de maior visibilidade. Enquanto 99,8% dos domicílios brasileiros têm acesso à energia elétrica, segundo a Aneel, em 2026, e 90,5% da população acessa a internet, segundo o IBGE, em 2025, o saneamento básico segue bem atrás, só 84,1% da população com acesso à água potável e 56,7%, coleta de esgoto, de acordo com o SINISA 2024.
Em um momento decisivo, as eleições de 2026 ocorrem em uma janela importante, já que o mandato 2027–2030 será decisivo para o avanço do setor no país. É nesse cenário que o novo estudo do Instituto Trata Brasil analisa o grau de comprometimento com o saneamento dos 62 candidatos competitivos a governador.
A pesquisa avaliou os planos de governo dos candidatos com maior chance de vitória ou de disputar o segundo turno em cada estado, segundo pesquisas Quaest e Datafolha, com corte em 15 de setembro e dados do TSE. A metodologia cruza quatro eixos, planejamento e regionalização, viabilização de investimentos, governança e regulação, e metas tangíveis. Cada plano recebe uma classificação, de ausente a abrangente, de acordo com quantos eixos e propostas desenvolve e se assume compromisso verificável até o fim do mandato.
A pauta do saneamento entrou nos planos de governo, ainda é pouco aprofundada. A universalização aparece em 54 dos 62 planos avaliados, 87% do total. Mas, cumprir essa promessa exige mais do que citá-la. Entre os eixos e propostas avaliados, os menos citados são justamente os que cobram compromisso concreto, metas tangíveis aparecem em só 26% dos planos, e governança de dados, em 24%.
Apenas 13 planos, 21% do total, chegam ao nível abrangente. A maioria, 44 planos, 71%, fica na categoria transversal, cita o saneamento mas não amarra as pontas. Outros cinco planos tiveram a abordagem classificada como superficial, por abordar somente um dos eixos.
MAPA 1: CLASSIFICAÇÃO DOS PLANOS POR CANDIDATURA E UF

O Marco Legal do Saneamento fixa 2033 como prazo para universalizar água e esgoto no país, menos de sete anos à frente do próximo mandato estadual. Enquanto o saneamento permanecer com baixa visibilidade nas urnas, ele continuará invisível também nas torneiras, nas redes de esgoto e nas vidas de milhões de brasileiros que ainda esperam por ele.
Para consultar a classificação de cada candidatura por estado, o Instituto Trata Brasil lançou o Radar do Voto no Saneamento, ferramenta interativa aberta a qualquer eleitor.




