Estudo do Trata Brasil mostra que o impacto vai além da sala de aula: 46,1% é a diferença de renda ao longo da vida de um jovem que teve acesso ao saneamento durante a infância e adolescência
A falta do saneamento básico é um obstáculo real ao desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes. Estudantes que vivem em condições precárias de saneamento estão mais expostos a doenças de veiculação hídrica, como diarreia e hepatite A, que provocam faltas recorrentes às aulas e, em casos mais graves, podem levar à evasão escolar.
De acordo com dados do IBGE (2024), presentes no Painel Saneamento Brasil, estudantes com acesso a saneamento básico completam, em média, mais anos de estudo do que aquelas sem acesso — uma diferença que se repete em todas as regiões do país.
Tabela 1 – Escolaridade média com e sem saneamento, Brasil e Regiões, 2024
| Região | Com saneamento (anos) | Sem saneamento (anos) | Diferença (anos) |
|---|---|---|---|
| Brasil | 9,50 | 7,50 | 2,00 |
| Sudeste | 9,95 | 7,81 | 2,14 |
| Norte | 9,10 | 7,96 | 1,14 |
| Nordeste | 8,58 | 6,81 | 1,77 |
| Sul | 9,66 | 8,04 | 1,62 |
| Centro-Oeste | 9,78 | 7,77 | 2,01 |
Fonte: IBGE, 2024 / Painel Saneamento Trata Brasil. Anos de educação formal.
Em média, no Brasil, estudantes com acesso a água tratada e coleta de esgoto completam 9,5 anos de estudo, contra 7,5 anos entre os que não têm acesso — uma diferença de dois anos de educação formal.
Garantir saneamento básico para todas as crianças e adolescentes é um investimento direto no futuro educacional e econômico do país. Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que jovens que tiveram acesso a saneamento durante a infância e a adolescência apresentam, ao longo da vida, uma renda até 46,1% maior do que aqueles que cresceram sem esse acesso. Universalizar água tratada e coleta de esgoto é, portanto, também universalizar oportunidades, ou seja, menos faltas à escola, mais anos de estudo e, no fim, mais chances de um futuro melhor para milhões de crianças e adolescentes brasileiros.



