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>Saneamento Básico é pauta ESG?

Pela primeira vez dentro de uma premiação do Instituto Trata Brasil, as concessionárias vão ser reconhecidas por boas práticas que englobam os princípios ESG

Cada dia mais importante em nossa economia, o conceito ESG (Ambiental, Social e Governança – do inglês, Environmental, Social and Governance) representa práticas e fundamentos que contribuam para a sustentabilidade de uma organização, avaliando a habilidade das empresas de conceber e executar propostas de negócios que contemplem retorno financeiro, missão social e a transparência. A prática está diretamente relacionada aos 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) firmados pela ONU, na Agenda 2030. Sendo assim, o ESG é um mediador nas responsabilidades que uma empresa exerce no âmbito social, inclusivo, ético e sustentável perante à sociedade. 

Para entender os pilares do ESG dentro do setor de saneamento, o Instituto Trata Brasil, em parceria com a KPMG, divulgou no início deste ano o estudo “ESG e Tendências no Setor de Saneamento do Brasil”. O relatório apresenta um  panorama do setor sob esta ótica, avaliando o papel do ESG dentro das operações que envolvem essa modalidade de infraestrutura.

No quesito social, o setor de saneamento desempenha papel fundamental sobre os pilares ESG. Saneamento básico é promoção da saúde e proteção do meio ambiente, com práticas de tratamento, reuso sustentável da água, descartes adequados de resíduos e desenvolvimento das comunidades locais.

Nos temas ambientais, o setor possui papel fundamental visto que, com o tratamento dos esgotos, há melhorias da qualidade dos recursos hídricos do país. Com o avanço da universalização do saneamento, prevista pela Lei 14.026/2020, o “Novo Marco Legal do Saneamento Básico”, que estipula que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água tratada e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto, todo esgoto antes lançado in natura nos rios, córregos e ruas, passará a ter um melhor tratamento, retornando ao meio ambiente com carga orgânica reduzida.

A condução deste serviço traz impactos positivos no que se refere à preservação ambiental, na promoção do turismo e na eliminação dos chamados “esgotos a céu aberto”, o que reflete diretamente no bem-estar e na economia do país. 

Já nas questões de governança, a própria composição das instâncias decisórias do setor, seja dentro ou fora das próprias companhias de saneamento e de seus fornecedores, já é cada vez mais observada pelo mercado, pois a oferta de saneamento é serviço público. Este é, portanto, um segmento de atuação com estreita relação com o Poder Concedente Municipal, as Câmaras Municipais, os Governos Estaduais, as Assembleias Legislativas, o Governo Federal, o Ministério Público, os Tribunais de Conta e as Agências Reguladoras. Portanto, torna-se preponderante garantir modelos de negócio mais sustentáveis, éticos e transparentes. 

Em busca de conhecer as ações positivas no setor de saneamento, o Instituto Trata Brasil (ITB) promove a 7ª edição do Prêmio “Casos de Sucesso & ESG”. O evento, organizado em parceria com o Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas (CEISA-FGV), busca prestigiar boas práticas de municípios e empresas no âmbito do abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre as categorias que serão premiadas, destaque para a “Melhores Casos ESG”, que visa reconhecer concessionárias pelos seus trabalhos consonantes com os princípios ESG, algo que acontece pela primeira vez em uma edição do Prêmio ’Casos de Sucesso’. Entre os cases premiados, estão:

SABESP: A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo foi escolhida no pilar Meio Ambiente pelo programa “Novo Rio Pinheiros”. O programa tem como objetivo revitalizar o Rio Pinheiros para reduzir o esgoto lançado em seus afluentes, melhorar a qualidade das águas, e a recuperação ambiental e paisagística ao seu entorno.

AEGEA: A Aegea Saneamento foi escolhida no pilar Social pelo programa “Respeito Dá o Tom”. O programa de diversidade e igualdade racial existe há cinco anos e tem como objetivo espelhar a demografia da população brasileira no quadro de funcionários da empresa. Atualmente, a Aegea conta com 63% de colaboradores que se autodeclaram pretos ou pardos, sendo que 19% estão em cargos de liderança.

IGUÁ: A Iguá Saneamento foi escolhida no pilar Governança por obter a Certificação do Climate Bonds Standard para Infraestrutura Hídrica, o primeiro título verde certificado da América Latina com ativos totalmente dedicados ao setor.

Para os próximos anos, os pilares e tendências ESG devem ser cada vez mais intrínsecos nos modelos de negócios de todo país, independente de qual seja o setor. É essencial o fomento de casos positivos, que colaborem com a agenda sustentável, em busca do desenvolvimento de práticas que alinhem os princípios ambientais, sociais e econômicos com o crescimento do país.